sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A passadeira rolante

Tal como a maioria das pessoas (até porque hoje em dia o turismo é moda nem que seja para trocar "bitaites" no emprego na hora do café) gosto de conhecer novos sítios, novas pessoas, circular por locais desconhecidos, familiarizar-me com hábitos distintos dos meus, enfim, gosto de viajar.
Há uns 7 ou 8 anos, numa estação de uma das maiores redes de metro do mundo reparei numas palavras escritas no chão junto à entrada de uma passadeira rolante. Aproximei-me para ler, dizia “Circule pela direita na passadeira, deixe passar quem tem mais pressa do que você”. Fiquei estupefacto, porque será que ninguém se teria lembrado de colocar umas coisas dessas nos nossos shoppings? Nos nossos metros? Será que isso iria acabar com os meus “com licença por favor” quando tenho pressa nesses sítios e apanho um casal de mãos dadas à minha frente ou dois amigos em chat pela escada fora?
Seguidamente, resolvi não ficar com as conclusões por aí e observei como os utilizadores do metro se movimentavam nas passadeiras e nas escadas rolantes. Nos dias em que visitei a cidade observei nos museus, centros comerciais, galerias, etc e, pasme-se, cheguei à conclusão que as palavrinhas no chão não eram necessárias. As pessoas “mexiam-se” naquelas coisas, não entravam para as escadas e encostavam-se ao corrimão a conversar ou mandar sms, nada disso, andavam como se subissem escadas normais, com um destino focado nos rostos, no caminhar, com a certeza de que o tempo parado na escada é tempo perdido, é “pasmaceira”.
Depois voltei e voltei ao mesmo. Cada vez que estava com o carrinho de compras parado no tapete com alguém à minha frente lembrava-me disso. Um dia chamei alguém à atenção e respondeu-me porque lhe pedia para passar se o carrinho de compras não anda no tapete. Não anda??? Ou pensam que não anda?? Experimente empurrar o carrinho pelo tapete e verá como ele anda, respondi eu. É obvio que anda, o sistema de travão é apenas para ele não deslizar contra a vontade de quem o empurra mas, se o empurrar ele anda.
Nas viagens que fiz que posteriormente tenho curiosidade em observar os comportamentos da “malta” nas passadeiras e acabei por chegar a uma conclusão. Tal como a forma como se circula nas estradas, a forma como se circula nas escadas e passadeiras rolantes acaba por reflectir uma parte da personalidade do povo que as utiliza. O que, no nosso caso, indica que somos um povo indolente, preguiçoso, que não procura um objectivo sendo que, no entanto, esperamos que nos levem a ele. Também indica que não aproveitamos as ajudas para atingir metas mas sim para relaxarmos até chegar a elas o que implica que demoremos muito mais que os outros alcança-las.

Devo acrescentar que as letrinhas para circular pela direita já aparecem em alguns metros e outros locais em Portugal de há uns tempos para cá. No entanto, experimentem ver quem segue as instruções.