Estou farto de os ouvir. Hoje de manhã quando vinha trabalhar, ao passar na Cidade Universitária um futuro JLAPPE (Jovem Licenciado À Procura do Primeiro Emprego) circulava à minha frente no seu Audi A4 a não mais que uns fantásticos 20 Km/h. Como em sentido contrário circulava trânsito a ultrapassagem era de todo impossível e fui ficando atrás do menino centena de metro atrás de centena de metro até que a minha (im)paciência de gajo atrasado me levou a buzinar. Ora, a resposta que tive (de que é que eu estava à espera???) foi uma mão levantada, ligeiramente inclinada para a frente, isto é: passa por cima! Noutros tempos batia-lhe ligeiramente na traseira para não estragar o carro mas fazendo com que ele saísse do carro para lhe mandar com o bastão de basebol nos cornos. O bastão de basebol ainda anda lá, eu é que já não sou o mesmo por isso deixou o moçoilo fazer lá os gestos que quis e, quando pude, ultrapassei-o e fui à minha vinda.
No entanto, aqueles pensamentos que me assaltam quando vejo nos noticiários esta nova classe social a reclamar voltaram pela manhã, fresquinhos como tudo. Coisa insólita para quem, normalmente, vai a dormir para o trabalho.
Mas afinal que querem os JLAPPE? Torna-se cansativo escutar esta classe (e outras) a reclamar sistematicamente por tudo e mais alguma coisa. Ora são as propinas que são altas, ora são os subsídios que são demorados, ora é a falta de emprego que os assalta, ora (e esta passei-me quando ouvi) são os almoços de 2,25€ que são caros (mas incluem pão, sopa, prato principal, bebida e sobremesa), ora etc e tal.
Que apetece responder? Apetece responder com perguntas.
Porque é que vão estudar quando sabem à partida que vão ser JLAPPE?
Porque é que andam 3 (ou nx3) anos a queimar o dinheirinho dos papás para depois irem trabalhar para lojas, supermercados, prostituir-se em sites de Internet e afins.
Porque é que vestem o traje com um pedantismo elitista, deixando-se fotografar em cortejos estúpidos a cair de bêbedos por papás babados do filhinho titulado?
Porque é que toda e qualquer besta que termina o 12º ano julga que um futuro promissor e livre de problemas (ou seja, boa vida!) passa por cursar e concluir o ensino superior?
Como diria o saudoso Diácono Remédios: “Ó meus amigos” nos temos Ucranianos, Moldávos, Romenos, Brasileiros, Cabo Verdianos, Espanhóis etc e tal a trabalhar em Portugal e uma taxa de desemprego a caminhar para os 10%. E desengane-se quem pensa que estes emigrantes só trabalham na C. Civil e Hotelaria. Não tendo nada contra os emigrantes que são muito bem vindos pois colmatam a falta de mão de obra portuguesa satisfeita com o subsidio de desemprego ou rendimento mínimo de inserção, não acham que teria um futuro muito mais promissor quem que, quando acabasse a escolaridade obrigatória optasse pela profissão de electricista, serralheiro, cortador de carnes e outras em vez de seguir a de psicólogo desempregado, sociólogo empregado de balcão ou jurista caixeiro de supermercado?
Não querendo escamotear o papel do Estado em todo este processo que continuamente nos brinda com uma panóplia que cursos cuja única finalidade é a estatística e que em pouco, ou nada, resolve os problemas de mão de obra especializada do país acho que os queridos papás sonhadores de um diploma na parede e uma fotografia do bebé trajado na moldura deveriam questionar-se até que ponto é vantajoso estourar as suas poupanças (por vezes de uma vida) para que o filhote anda anos a fio a estudar para JLAPPE, muitas vezes longe de casa (até dá jeito prós pais não saberem das asneiras) e a torrar massa em noites de borgas enquanto se queixam que um almoço de 2,25€ é caro. É de quem não sabe o que é a vida!!!
sexta-feira, 17 de abril de 2009
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